12/07/2009

War Games / Jogos de Guerra

Em 1983 os Estados Unidos viviam o auge da Guerra Fria. Ronald Reagan, o ex-ator de westerns, era o presidente da república. Seu grande adversário externo era a União Soviética, governada por Yuri Andropov, que estava atolada em uma guerra de ocupação no Afeganistão, classificada internamente como "seu próprio Vietnã". Embora ocupados pelos soviéticos, os afegãos eram financiados por países árabes e pelos EUA. Logo alí do lado, Irã e Iraque (de Sadam Houssein) também se enfrentavam em uma longa e penosa guerra financiada pelos EUA (Iraque) e URSS (Irã). A situação no Oriente Médio era muito mais complicada do que é nos dias atuais. Países latino americanos eram, em sua maioria, governados por juntas militares que haviam tomado o poder à força. Estimava-se que o mundo chegou a ter 40 mil ogivas nucleares naquela época. Arsenal capaz de destruir metade do mundo em poucas horas. O mundo parecia prestes a se acabar.

É justamente neste cenário que surge um filme despretencioso: War Games (Jogos de Guerra) www.imdb.com. O filme é protagonizado por Matthew Broderick que depois seria cultuado por seu papel em Curtindo a vida adoidado (Ferris Bueller's Day Off). Em Jogos de Guerra, David, é um adolescente vida mansa, que não dá muita bola pra escola e para os estudos, mas que se diverte com computadores. A interface é DOS na veia - ou sei lá o que é aquilo. O cara poderia ser chamado de nerd. Mas ele é bonito, inteligente, popular e tem uma namorada linda. Definitivamente não é um nerd!

Em suas constantes visitas à diretoria da escola ele descobre uma gaveta onde uma secretária guarda as senhas de acesso ao computador de notas. Problema resolvido. Não havia mais necessidade de estudar, bastava acessar o computador e alterar as notas à vontade. Um dia ele consegue acessar um computador que o convida a jogar - não existia internet. Era necessário 'discar' para o tal computador. Sem saber ele acessa o 'computador central' do sistema de defesa americano. Enquanto pensa estar apenas jogando, ele está acionando os protocolos de segurança do Tio Sam e faz todos do departamento de defesa ficarem de cabelos em pé quando o país chega a um passo de lançar mísseis nucleares pra terra de Lênin. Pra sua sorte (ou azar) ainda não existia Jack Bauer pra derrubar a porta do seu quarto salvar o mundo. Então ele tem que resolver o problema sozinho, com a CIA fungando no seu cangote. No final das contas o filme é bem divertido. War Games virou cult. Já faz muito tempo que assisti e não vejo nenhuma referência dele nos canais da Sky. Então é provável que se quiser assistir tem que procurar em uma locadora com um bom acervo em VHS ou nos melhores torrents da vida. Em 2008 saiu um remake do filme. Mas deve ter sido tão bom que nem chegou aos cinemas, foi direto pro DVD!

Trailler de War Games:


Toda essa volta foi pra falar de um jogo: DEFCON. Produto da britânica Introversion Software, DEFCON é um jogo de estratégia definido pelos criadores como The World's first Genocide 'em up - ou "O primeiro extermine todos eles". Eu diria que é uma versão em computador para War, o classico jogo de tabuleiro que também fez a cabeça de adolescentes e adultos da década de 80.



O interessante é que o jogo apresenta uma interface similar à encontrada no filme. Um mapa mundi com indicação das principais cidades e suas populações, localização de bases aéreas, silos de mísseis balísticos intercontinentais, estações de radares e as frotas de navios e submarinos. O objetivo é distribuir os recursos ao redor do seu seu território que pode ser qualquer uma das regiões: América do Norte, América Central e do Sul, Europa, África, União Soviética e Leste Europeu, Oriente Médio e Sul Asiático. A idéia é se defender de um ataque e ao mesmo tempo atacar o inimigo quando a situação se tornar crítica. DEFCON é uma contração de DEFensive CONdition ou CONdição de DEFesa, uma escala de alerta criada no período da guerra fria. DEFCON 5 é o estado de paz e DEFCON 1 é de guerra nuclear. Os estágios intermediários indicam o tipo de confronto que pode acontecer: desde uma batalha no mar até bombardeios de posições militares.



O jogo começa em DEFCON 5 e o nível vai se 'elevando' até o DEFON 1 que é o momento em que armas nucleares começam a ser lançadas contra o inimigo. Como é impossível se proteger de todos os ataques, o resultado final é o slogan do jogo: EVERYBODY DIES.

It's Global Thermonuclear War, and nobody wins. But maybe - just maybe - you can lose the least.

Embora tenha alcançado 84 pontos no Metacritic, para muitos ele não deve ser um grande jogo. Mas é uma boa referência que merece ser conhecida por quem curte jogos. Sendo assim, jogar o DEMO já está de bom tamanho. Quem gostar pode comprar no site do desenvolvedor, a Introversion Software, ou então via Steam. Só pra constar, eu comprei!




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